quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vidas (aqui) ao lado


Os amigos às vezes conseguem ser cruéis. São cruéis. Dizem-nos aquilo que não queremos ouvir. De ninguém. Nem mesmo deles. Muito menos deles. Dizem-nos aquilo que até de nós escondemos. Lá no fundo da gaveta, e que só abrimos à noitinha, quando já não há ninguém por perto. Só tu e a tua almofada. Para que no dia seguinte ninguém note. Ninguém perceba. Até nós. Até nós às vezes nos "esquecemos". Queremos esquecer. Mas não conseguimos. Está sempre lá. No fundinho da gaveta que tanto tens medo de abrir. Mas os amigos abrem-na. Sempre. Às vezes devagarinho para não nos assustarmos. Outras de forma brusca. Rápida. Para nem termos tempo de pensar. Mas é quando agem assim que "acordamos" e saímos dessa bolha. Quente e aconchegada em que vivemos (sobrevivemos) mas que com um simples toque pode simplesmente rebentar. E depois? Onde nos vamos refugiar? Esconder? No que sobra? Não! Temos sim de nos proteger. Dentro e fora dela. Mais fora. Muito mais. Porque dentro é sempre tudo bom. Estranhamento bom. Mas fora... fora nem sempre. Quase nunca. E é nisso que nos devíamos preocupar. Tanto. Porque é lá fora que a vida passa. Continua.. E não vai esperar por ti. Nunca espera. Desespera. És tu que tens que esperar, desesperar, ir ou deixar passar. És tu que tens de decidir. Impor. Agir. És tu. Apensas e só tu! Eu sou amiga e às vezes sou cruel. Digo-te aquilo que não queres ouvir. Que não queres "saber". Eu sou amiga e não faço isso por mim. Faço porque um dia alguém rebentou a bolha quente e aconchegada em que vivia. E tive de viver. Sobreviver. Do lado de fora.
Onde tu também vais saber viver. Vais saber.

1 comentário:

Palavras soltas disse...

=')
Por essas e por outras é que existe um grupo restrititissimo de pessoas as quais fazem isso e embora eu aceite ou não as suas intervenções serão sempre guardadas, nem que seja para um dia dizer "tu tinhas razão eu é que fui burra".