quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ponto F


Conheces-me tanto, tal como eu te conheço a ti. Nunca percebemos porquê, mas aconteceu. Aconteceu-nos. Somos a cumplicidade do silêncio, aquela que é curada com um abraço apertado... sem perguntas. A cumplicidade que às vezes magoa. TANTO. Com actos sem pensar, sem sentir. Com actos de segundos que demoram dias a esquecer, semanas quem sabe... Nós somos assim, de instantes. Bons e maus, mas  sempre autênticos. Verdadeiros.
E é isso que estou a sentir, instantes de verdade... aquela que ainda não consegui digerir, entender... Entender-te. E tu... tu sabes. Sabes tão bem... sabes que é exactamente isso que estou a sentir, que estamos a sentir.
Isso que te tem feito agir de forma diferente e isso que me faz estar aqui agora a escrever-te, mesmo sabendo que nunca irás ler. Isso que me faz pensar o "porquê" tantas noites e isso que te faz mal todos os dias.
Isso que a cumplicidade não deixa passar, isso que ser mais que amizade não deixa esquecer e isso de sermos nós que não deixa de ser. Isso.
Isso que só a cumplicidade pode deixar. Deixar de ser.

Alguém disse


"Intimidade é quando a nossa vida relaxa diante de outra vida... e respira macio!"

Ana Jácomo

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ela gosta. Gosta assim.



Gosto da tua voz rouca e ensonada ao telefone de manhã, gosto quando me ofereces croissants de chocolate mesmo sabendo que eu não gosto. Gosto quando me apertas a mão debaixo da mesa sem ninguém ver, gosto dos teus beijinhos doces no meu nariz, gosto da maneira como me abraças quando tenho frio, gosto quando vês o Phineas & Ferb comigo (mesmo não gostando) e imitas o Perry na perfeição! Gosto da forma como mordes o lábio inferior sempre que te beijo o pescoço… Gosto quando vens a minha casa, de surpresa, só para receberes um beijo. Gosto de partilhar doces contigo e gosto do sabor da tua boca depois de comeres uma barrinha Kinder. Gosto quando me dizes para deitar a cabeça no teu peito e me tapas lentamente com a mantinha encarnada… Gosto da maneira que me beijas o ombro e me perguntas porque estou sempre tão quente… e gosto da maneira suave com que me acaricias depois de afastares o meu cabelo da cara. Gosto do teu ar desajeitado quando te olho nos olhos e gosto da maneira como me tocas depois de o fazer. Gosto de te ver dormir e gosto que me roubes os cobertores a meio da noite. Gosto quando me chamas pestinha sempre que digo alguma coisa que te deixa embaraçado… e gosto do teu riso envergonhado quando te falam de mim! Gosto do teu nariz e gosto de te dar beijinhos à esquimó vezes sem conta… Gosto quando dividimos as tostas mistas no café e gosto de te roubar o último cubo de gelo da CocaCola. Gosto de cantar contigo no carro e gosto que saibas a letra da minha música favorita. Gosto das tardes de sofá, pijama e séries e gosto dos nossos almoços improvisados. Gosto de beber vodka do teu copo na discoteca e gosto de rir contigo, até ficar com dores de barriga. Gosto das tuas mensagens de madrugada e gosto quando me pedes para ficar contigo… mesmo sabendo que não posso. Gosto da maneira simples de gostar de ti. Da maneira suave de estar contigo… e da forma leve que me fazes sentir.
Gosto. Gosto assim.

Alguém disse


“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba.Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. Difícil é amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. (...) Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.

Ana Jácomo in pequenos-grandes-momentos.blogspot.pt

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pijama cor de morango


Apesar das gotas de chuva deslizarem suavemente pelo vidro da tua janela nós continuamos ali, no calor daquilo que somos e nos sorrisos daquilo que um dia queremos ser.

Alguém disse


"Gosto quando tens o meu cheiro na tua pele..."

terça-feira, 1 de maio de 2012

Alguém disse


"(...) O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. (...) Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós."

in esperobemquenao.blogspot.pt