quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Alguém disse


"Eu não te vou pedir nada. Não te vou cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade..."

Ela é assim, coitada


Fico bêbada de sono (vá, de vinho também).
Sou viciada em chocolate Kinder (aiiii aquelas barritas).
Choro de tanto rir.
Mato-me de tanta curiosidade.
Abandono coisas ruins (cái fora, viu?).
Imagino situações que me arrancam facilmente uma gargalhada (não é difícil).
Mudo só se for para melhor (tem dias).
Cuido do que amo ("... quando agente gosta é claro que agente cuida...").
Faço shows durante o banho e em frente ao espelho (canto muito, mas MAL).
Invento conversas que nunca serão ditas (e ainda bem).
Falo sozinha (montes de vezes).
Imagino-me em filmes.
Sou indecisa na roupa que vou usar (mas determinada no dia a dia).
Mudo tantas coisas, só para ser mais feliz. Menos o meu carácter.

Mas querem saber uma coisa? Eu sou feliz assim.

(inspire by blogworld)

Alguém disse


"(...) As diferenças às vezes são tão menores do que o valor de que um dá para o outro que isso é o que interessa..."

Charlie Brown Jr

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Podia ser


A noite já ia alta. Estavam ali, parados no tempo, no mesmo sítio de sempre. Confessaram fraquezas, desvendaram segredos, partilharam verdades que fazem doer (muito), riram e ficaram em silêncio, aquele que naquela noite nem foi constrangedor... mas sim quente, cúmplice. O toque tornou-se inevitável, cada vez mais... e essa necessidade passou a ser ordem. As manifestações de carinho repetiram-se, mas de uma forma envergonhada, doce. Sem darem por isso estavam frente a frente, como nunca tinham estado antes. E tiveram medo. A respiração ofegante tomou conta do ambiente tranquilo que até lá existia. A hesitação persistiu por instantes, mas o calor do momento fê-la evaporar por entre as mãos suadas que se apertavam cada vez mais. Entregaram-se... lentamente, sem como nem porquê, assim... por instantes. Instantes que fizeram parar tudo o que acreditavam, tudo o que esperavam deles próprios nesta altura das suas vidas. Existiu culpa sim, mas acima de tudo respeito. Muito. Não pelos outros, mas por eles mesmos. Tanto. Naquela noite e no resto das suas "vidas", juntas ou não. Porque para vários "alguém" como nós, a cumplicidade natural é muito mais importante do que tudo o resto. Mesmo que esse tudo seja segredo para ambos e até para cada um.

Alguém disse


"Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar-me de ti. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira quando começa a contagem regressiva para o fim de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recados bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o teu cheiro. Que seja doce o teu jeito, os teus olhares, o teu receio. Que seja doce a tua maneira de andar, de sentir, de demonstrar afecto. Que sejam doce as tuas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o teu abraço. Que seja doce o modo como tu irás segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce..."

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

"(...)nem nada a dizer, aqui e agora..."


Houve uma noite em que ela voltou a tentar compreende-lo, a tentar perceber e a tentar interiorizar o que se passava na cabeça dele. Ele explicou, voltou a explicar e ela ouviu... vezes sem conta as suas razões, motivações e até mesmo as suas desculpas. Por momentos ela até compreendeu... mas para quem olha nos olhos sem precisar falar, tudo o que foi dito evaporou... num instante, num segundo. Porque só acreditamos nas palavras quando os olhos nos afirmam que é isso que estamos realmente a sentir. Mas os dele não afirmaram, não deram verdade a nada do que foi dito. Revelaram apenas medo, aquele que só de pensar faz-nos ter arrepios no pescoço, suar as mãos... Houve uma noite em que ele quis acreditar "no que está certo", que ele quis fugir... Houve uma noite em que ela percebeu que ele queria mesmo acreditar nas próprias palavras, e nessa noite... ela deixou-o acreditar.

Alguém disse


"(...)Não vou deixar que estraguem momentos que cada um de nós precisava ter nesta altura..."

Márcio Maniés